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terça-feira, 30 de junho de 2026

Qual Semente...

    Há contos de fadas, envoltos em grandes mistérios, e há contos reais. Prefiro os que levam ao mundo da realidade, ainda que por vezes me atreva a sonhar no mundo da ilusão. Afinal, sem imaginação não há grandeza!

   Chamem-lhe o que quiserem. O conto, a história que te preparas para ler tem como protagonista uma semente, uma semente com vida e sentimentos próprios de um coração humano. Vejo o ciclo da semente como um mapa para uma jornada da missão de cada indivíduo: a beleza escondida em cada semente.
    Como todas as histórias, vou começar por Era uma vez…
   Era uma vez, há muitos, muitos anos, uma sementinha trazida à terra e acalentada pelo conforto do seio familiar desabrochou. Uma força a arrancou da semente e a fez abrir caminho.
    Esta sementinha, então criança, sempre mimada pelos pais, que só pensavam no melhor para ela, e em que educação e respeito eram palavras de ordem – a maior herança que a sementinha recebeu – foi-se tornando adulta e florescendo inspirada pelos desafios pessoais, familiares escolares e sociais.
    Desde cedo, compreendeu que cada pessoa será o que construir. Emoções, frustrações, sucessos, desejos… acompanharam-na e perseguiram-na. Sem se fazer notar, cresceu… cresceu, qual árvore firme que frutifica e se deixa moldar pelo cuidador.
    A coragem e a determinação traçam-lhe uma rota. Quando se tem um objetivo e se ama, não se deixa que a tempestade derrube o ser que se ama e mesmo que a chuva ou o vento forte abanem e derrubem os seus ramos, a raiz mantém-se presa à terra que a gerou, a viu nascer e crescer. E ajudou a crescer muitas sementes.
    Esta Semente tem um rosto e um nome. Chama-se Isabel Almeida. Toda a sua vida está repleta de pequenas sementes; sementes que foi colhendo e lançando ao longo dos caminhos e partilhando com as pessoas que com ela se vão cruzando no dia-a-dia.
    Não obstante adversidades e constrangimentos, a dedicação generosa em tudo o que faz, o saber ouvir e dialogar com outras perspetivas diferentes, gera uma corrente de esperança.     Tal como as abelhas levam o pólen de flor em flor, ajudando as plantas a dar frutos, cheia de confiança, semeia e traz consigo o fruto das sementes que vai espalhando e colhendo. Continua com descobertas, incertezas, mas uma grande certeza… a de que a semente lançada à terra, ainda que não se veja, germinará. Como qualquer semente que o agricultor lança à terra, quando vê florescer, sente-se orgulhosa, não por mérito próprio, mas daquele que a todos faz protagonistas da transformação.
    Com fé e esperança, com uma carreira longa a espalhar sementes, a Semente da história continua a preparar terreno, para que em vez de corações empedernidos, irradie a ânsia de fazer pulsar corações que saibam transformar muros em pontes, o orgulho em humildade, a discórdia em harmonia.
    O sujeito da história tem, como já disse, um rosto. Fruto da longa experiência adquirida e do olhar esperançoso para o futuro, nesta Semana da EMRC”, maio 2026, enfrentei o desafio de escrever estas linhas, não para enaltecer o meu “Eu”, mas faço-o no sentido de expressar o quanto me sinto feliz e grata por ser professora de EMRC.
    Todas as histórias têm um fim, mas esta prolonga-se no tempo. A semente sempre me inspirou um desafio. A Semente que um dia entrou e abraçou a família da EMRC quer continuar discreta, a manter viva a chama que sempre a iluminou e animou a difundir os valores que devem identificar esta grande família.
    Tenho colhido mais rosas do que espinhos, e o segredo assenta na autenticidade, na vivência e convivência, no criar pontes, no envolvimento e perseverança no cumprimento da missão, conjugar alegrias e tristezas sempre em função de um bem maior. Quando temos uma meta, Deus dá-nos forças, motivações e coração para avançar, enfrentar os desafios, sejam eles quais forem.
    Ajudar alguém a crescer, a discernir e a tomar decisões é o maior ato de amor. Seria imperdoável, nesta história, esquecer todas as sementes, todos os rostos que me abriram horizontes e ajudaram a conhecer e a percorrer caminhos onde é preciso semear, mas também se recolhe com alegria. Só quem ama percebe a magnitude deste encanto!
    Há lembranças que afloram à mente, mas essas vou tê-las como luminárias que se acendem para iluminar o percurso que levará à meta: ser sinal de esperança. Aprendi a redescobrir a promessa de um destino que transcende os nossos planos terrenos. E assim, neste caminhar, cada dia, a vida se renova.
    E… era uma vez uma semente! Agora, meus queridos leitores, qualquer um pode recomeçar a história da sementinha. Qual semente… também tu podes ajudar a tua família, a tua escola, a sociedade e o mundo a serem lugares de crescimento, onde o encontro e a palavra transformem vidas.

Isabel Almeida